SPFW 3º dia – 19.01.2010

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E no terceiro dia, lá na Bienal…

A Iódice desfila sua coleção de inverno inspirada no estado do Amazonas, usando elementos da natureza para dar formas às suas peças leves, drapeadas, com detalhes nas golas, nos botões e nos ombros – o grande trunfo da temporada, aliás, ombros para as roupas e côncavo para o make. A alfaiataria se mostra pesada, com a inusitada combinação lã + tachas. Vimos rendas, sobreposições, couro, vestidos chiquérrimos pretinhos com corte impecável. Destaque para as estampas de pássaros e para as leggins! Li algumas críticas falando sobre a não criatividade da coleção. Pode até ser… Mas eu achei tudo incrível.

Ronaldo Fraga apresentou não só um desfile, mas um espetáculo teatral. Inspirado em Pina Baush, uma das maiores coreógrafas do balé moderno, Ronaldo mostra uma coleção invertida, colocando a frente das peças nas costas da modelo, sendo que o rosto destas eram na verdade, os cabelos e na parte de trás haviam máscaras, que causaram impacto, emoção e até medo!  No entanto, a coleção é quase nada comercial, para não dizer nada.  E quem se importa? Ronaldo Fraga é a liberdade que mostra.

Simone Nunes inspirou-se nas roupas de patinação artística no gelo, assim como nas ilustrações de Amy Cutler, com aquela pegada conto de fadas. O resultado são ótimo bodies trabalhados em lycra e tule, calças carrot, camisas sequinhas, blazers com detalhes laterais feitos com franjas de canutilhos prateados, saias-tulipa – sempre presentes na temporada! – e arrematando toda a coleção, muita textura e sobreposições fofas e elegantes, baseadas na cartela de cores de marrons e beges. A modelagem da coleção de verão decepcionou muita gente, e há quem não esteja muito satisfeito também com a de inverno, que poderia caprichar mais no posicionamento dos ombros e principalmente, nos volumes 3D dos vestidos, que acabam não valorizando a silhueta.

Sou suspeita para falar de Fábia Bercsek, porque eu sou fã mesmo. Mas enfim… O inverno 2010 de Fábia foi dividido de acordo com os quatro elementos: ar, fogo, terra e água. Inspirada em Joana D’Arc, o inverno forte
de Fábia veio de cabelos curtos, olhos pretos borradinhos, botas de cano alto, correntes, tachas e para brincar de leve/pesado, brilhos, babados, organza e rosa! A coleção é boa, apesar de algumas peças estranhas como a tão criticada bermuda de babados e os outros looks das botas vinho. Fábia fechou sua loja no meio do ano passado, pulou a coleção de inverno e voltou no verão 2010, com direito a reabertura de uma loja incrível nos Jardins. E está dando andamento ao seu trabalho de estilista, juntamente com o de artista – que é igualmente fantástico.

Ellus e o bafo que foi a presença do modelo Jesus Luz, ai que preguiça de falar dele… Posso passar? A marca já é top no conceito jeanswear e mais uma vez apresentou sua coleção com este foco. Destaque para o jeans encerado, mais conhecido como leather denim – patenteado por Adriana Bozon. Esse jeans tem um efeito tão fiel ao couro, que essa dúvida permanece durante todo o desfile. A Ellus hypou o modelo boyfriend e por isso, muita gente estava esperando para ver qual seria o shape da vez! E durando o inverno 2010 o hype é a modelagem slim, de gancho baixo e perna afunilada, junto com a super-skinny e a clochard. Além disso, pegada esportiva que apareceu bastante nesta temporada, com o uso do náilon e do neoprene. Não vou colocar foto do Jesus, porque na minha opinião, ele estragou todos os looks que vestiu. Poderia ter ficado apenas sentado na fila A né?!

A Triton em parceria com a cantora Luísa Lovefoxxx, da banda Cansei de Ser Sexy, apresentou uma coleção de inverno inspirada em no bairro de Harajuku, na cidade de Shibuya, Japão. Tinha de tudo na passarela, que realmente ficava difícil analisar o conjunto, ou até mesmo o individual. Eram texturas, tecidos, volumes, formas estampas – que mostravam a identidade de Lovefoxxx – paetês, sarja, malha, tricô, adesivos fluo e moleton! No entanto, todos esses elementos foram sobrepostos de uma maneira natural, como se tudo estivesse bem conjuntinho. A sobreidade ficou por conta da alfaiataria, que trouxe looks pretos bem harmonizados e a sensação de que a coleção agora sim, tinha a cara da Triton. A marca deixou o jeans para o comercial e se dedicou no styling para a passarela, o que é sempre muito bom.

 

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